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Sunday 22 October 2017
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Meningites




 É a inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal, conhecidas coletivamente como meninges. A inflamação pode ser causada por infecções por vírus, bactérias ou outros micro-organismos, e, menos comumente, por certas drogas.

A meningite é considerada uma doença endêmica. Portanto, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, principalmente no inverno, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. É causada por diversos agentes infecciosos como bactérias, vírus, parasitas e fungos.

As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, pela sua magnitude e capacidade de ocasionar surtos.  Entre as meningites bacterianas a Doença Meningocócica (DM), causada pela Neisseria meningitidis, aponta como a principal causa e tem uma maior frequência entre as crianças menores de 05 anos de idade. É uma doença grave e pode acometer indivíduos de qualquer idade. Pode ser causada por bactérias, vírus, parasitas e fungos. As meningites bacterianas são clinicamente mais graves e tem maior importância em saúde pública  pela sua capacidade de ocasionar surtos e epidemias. As meningites virais (assépticas) podem se expressar por meio de surtos, porém com pouca gravidade.

Descrição da doença
A Doença Meningocócica foi estudada pela primeira vez por Vieusseux, em Genebra/Suíça, durante um surto ocorrido em 1806. A bactéria responsável pela doença foi identificada e descrita pela primeira vez em 1884 por Marchiafava e Celli na Itália, mas somente em 1887 foi cultivada recebendo a denominação de Neisseria meningitidis por Weichselbaum. Durante o século XIX, as epidemias por esta doença foram freqüentes na Europa.

O Meningococo apresenta os seguintes sorotipos: A, B, C, X, Y e W135. Os primeiros casos de meningite meningocócica registrados no Brasil datam de 1906. A década de 70 foi marcada pela ocorrência de uma grande epidemia de Doença Meningocócica. N ocasião foi realizada uma campanha de vacinação nacional, utilizadando a vacina antimeningocócica AC. Após este período o sorogrupo A deixou de circular no país e os sorogrupos B e C passaram a ser predominantes.Na década de 90, a meningite por Haemophilus influenzae tipo b (Hib) destacava-se como a segunda causa de meningite bacteriana. Após a implantação da vacina contra Hib no Brasil,  incluída no calendário básico de vacinação da criança a partir de 1999, foi observada redução superior a 90% dos casos de meningite por este agente.

Principais agentes etiológicos 

Bactérias – dentre os agentes bacterianos que podem provocar o quadro de meningite temos: Streptococcos β-hemolítico e S. pneumoniae, Haemophilus influenzae, Neisseria meningitidis, Listeria monocytogenes e os menos comuns Staphylococcus aureusEscherichia coli e Klebsiella sp.

Vírus – Os vírus que podem causar meningite incluem enterovírus, Vírus do Herpes Simplex tipo 2 (e menos comumente tipo 1), vírus Varicela Zoster (conhecido por causar a varicela e herpes zoster), Vírus da caxumba, HIV e LCMV.

Parasitas – Uma causa parasitária geralmente é presumida quando há predomínio de eosinófilos no líquor. Os parasitas implicados mais comuns são Angiostrongylus cantonensis e Gnathostoma spinigerum.

Doenças como tuberculose, sífilis, criptococose e coccidiodomicose são causas raras que podem evoluir para um quadro de meningite.

Quais os sintomas?
Os principais sinais e sintomas são: (crianças acima de 1 ano de idade e adultos) febre alta que começa abruptamente, dor de cabeça intensa e contínua, vômito, náuseas, rigidez de nuca e manchas vermelhas na pele (petéquias).
Em crianças menores de um ano de idade, os sintomas referidos acima podem não ser tão evidentes, devendo-se atentar para a presença de moleira tensa ou elevada, irritabilidade,  inquietação com choro agudo e persistente e rigidez corporal com ou sem convulsões.

Como se transmite?
A transmissão é de pessoa a pessoa, por via respiratória, por meio de gotículas e secreções do nariz e garganta,  havendo necessidade de contato prolongado e convivência no mesmo ambiente (residentes da mesma casa, colega de dormitório, creche, alojamento).

 Como se prevenir?

A principal forma de prevenção é a detecção e o tratamento precoce dos casos, evitando-se que a doença seja transmitida a outras pessoas.

Existem vacinas para prevenir alguns tipos de meningite, dentre estas, estão disponíveis no calendário básico de vacinação da criança: BCG que previne as formas graves de tuberculose, a vacina contra a meningite por Haemophilus influenza tipo b, pneumocócica 10-valente e a meningocócica conjugada C.

Outras formas de prevenção incluem: evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados e a higiene ambiental.

Em contatos de casos de Doença Meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae está indicada a quimioprofilaxia, preferencialmente em até 48 horas da exposição à fonte de infecção, levando em consideração o tempo de transmissiblidade da doença.

Diagnóstico

Em uma pessoa com suspeita de meningite, exames de sangue para os marcadores de inflamação são realizados, por exemplo, a proteína C-reativa, hemograma completo, bem como as culturas

de sangue, a punção lombar também é requerido. A análise do LCR é examinado para a presença e os tipos de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos, proteína e teor de glicose nível.  A coloração de Gram da amostra de LCR pode demonstrar bactérias da meningite bacteriana, mas ausência de bactérias não exclui meningite bacteriana como só são vistos em 60% dos casos, este valor é reduzido em mais 20% se os antibióticos foram administrados antes que a amostra foi colhida.

De acordo com a PORTARIA N° 104, DE 25 DE JANEIRO DE 2011 Anexo II, surto ou aglomerados de casos de Doença Meningocócica e Meningite viral são considerados de notificação imediata logo devem ser notificados às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde (SES e SMS) em, no máximo, 24 (vinte e quatro) horas a partir da suspeita inicial, e às SES e SMS que também deverão informar imediatamente a SVS/MS. A notificação imediata será realizada por telefone como meio de comunicação ao serviço de vigilância epidemiológica da SMS, cabendo a essa instituição disponibilizar e divulgar amplamente o número na rede de serviços de saúde, pública e privada.

Casos de Meningite

    N° de casos e incidência da Doença Meningocócica. Brasil, 2000 a 2009

Surtos na Bahia

Em Salvador, o número de casos de meningite tipo C em 2011 já chega a 41. Recentemente (09/09/2011) houve um surto de meningite no complexo Hoteleiro de Costa do Sauípe, durante o festival Sauípe Folia com três vítimas fatais.

Estatísticas da doença em 2011 no Brasil

Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)  no país, em 2011 (até a SE 26), foram  confirmados  8.676  casos de meningites. Do total de casos, 37% (n=3.194) foram registrados  como etiologia bacteriana, 41% (n=3.562) como meningite viral,  17% (n=1.432) meningite não especificada e 3% (n=285) de meningite por outra etiologia.
Entre os casos de meningite bacteriana, 35% (n=1.133) foram confirmados como sendo Doença Meningocócica (DM), 43% (n=1.383) como meningites por outras bactérias e 15% (n=487) como meningite pneumocócica.
Entre os casos de DM,  50% (567/1.133) não foram identificados os sorogrupos.
Apenas 61% (1.133/693) casos de DM foram encerrados por diagnóstico laboratorial específico (Cultura, CIE,  Ag. Látex e PCR).

Fonte:

  1.  José Cássio de Moraes (2005). Meningite, a epidemia que a ditadura não conseguiu esconder (em português). Conselho Regional de Medicina de São Paulo.
  2. Portal Saúde. Meningites. Disponível em: Acesso em: 28/092011. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31957
  3. Wikipédia, Meningite. Disponível em: Acesso em 28/09/2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Meningite
  4. A tarde (jornal). Surto de meningite em Salvador.  Disponível em: Acesso em 29/09/2011. http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5771163id=5765250